sexta-feira, abril 22, 2011

Ó MEU CORAÇÃO DE MINHA MÃE...




ORAÇÃO A HATHOR

"Ó vós que estais nas margens do céu ocidental,
que vos alegrais de ir ao encontro de Hathor
e desejais ver a epifania da sua beleza!
Eu dou a conhecer a sua essência,
digo diante dela que me alegro com a sua vista.
Meus braços fazem o gesto certo:

Vem a mim, vem a mim!
Meu corpo fala e meus lábios repetem música dos sacerdotes de Hathor,
música de milhões de sons e centenas de milhar.
Eu sou quem faz com que o cantor da manhã inspire música diàriamente
para Hathor,
e todas as horas em que deseje
que o teu coração se alegre com a sua música".

Império Novo - 1550 - 1070 a.C.



Ó meu coração de minha mãe, ó meu coração da minha mãe, víscera do coração das minhas diferentes idades,
não te levantes contra mim em testemunho, não te oponhas a mim em tribunal, não mostres hostilidade contra mim na presença do guarda da balança!

Tu és o meu Ka que está no meu corpo, o Knum que torna prósperos os meus membros. Dirige-te para o bem, que nos está preparado no além! (...) Não inventes mentiras contra mim perante o grande deus, senhor do ocidente! Vê: da tua nobreza depende seres proclamado justo.

in "LIVRO DOS MORTOS" do Antigo Egipto


21 DE ABRIL


Festival da deusa egípcia Hathor, a Rainha do céu, da Terra e da Lua, a Criadora primordial, Mãe de todas as divindades. Manifestada sob sete aspectos, as sete Hathor eram associadas aos sete planetas e consideradas as protetoras das mulheres, do casamento, da família, das artes, do amor, da música e da astrologia. Eram elas que davam às pessoas as sete almas (ou corpos) ao nascer. Hathor foi reverenciada ora como mãe ou filha do Sol, com cabeça de vaca ou leoa, ora como mulher, adornada com os chifres lunares, ora como árvore da vida, a Senhora do céu e também do mundo subterrâneo, mãe da vida e da morte. Em seu aspecto escuro como Rainha dos Mortos, Hathor aparecia como a Esfinge, a Deusa Sakhmis ou Sekhmet, a Deusa com cabeça de leão. Hathor foi venerada em Israel, em seu templo de Hazor, até 1100 a.C, quando seu templo foi destruído e seu culto proibido.

Copiado de alta sacerdotisa e tirado do livro O Anuário da Grande Mãe - Mirella Faur

NOTA A MARGEM: ~

Ontem, POR INTUIÇÃO PURA, quis vir aqui colocar estes poemas a Hathor...mas não o fiz e só hoje soube ter-se tratado de um dia especial dedicado a Deusa. E aqui fica a minha homenagem na evocação da Deusa Hathor, Senhora do Céu, Rainha dos mortos...viva e presente no meu coração...

quinta-feira, março 17, 2011

Recuperar a sexualidade sagrada


OSÍRIS E ÍSIS

Quando Osíris é assassinado por seu irmão Seth seu corpo é desmembrado em 14 partes, segundo a versão mais aceita do mito. Ísis, esposa de Osíris, sai em busca das partes do esposo na intenção mágica de fazer com que Osíris ressuscite, só que apenas 13 partes são recuperadas, menos o falo, que fica perdido.

O falo de Osíris não recuperado por Ísis é um símbolo do que estava por vir: uma profecia.

O falo de Osíris é o símbolo do princípio masculino perdido. Assim não é só o resgate do feminino que precisa ser feito hoje em dia, o masculino, o homem verdadeiro precisa ser recuperado, pois está castrado, destituído de poder em si.
No mito egípcio, Ísis é capaz de conceber mesmo sem o falo de Osíris mostrando que o princípio feminino é capaz de gerar por si mesmo. A partenogênese prova isso.

Osíris foi desmembrado (Olha o duplo sentido! Que Freud me desculpe, mas não parece que a inveja do pênis é uma coisa entre homens?) por Seth e reconstituído por Ísis e Néftis. O mito indica que o princípio feminino não só gera a vida, mas também é capaz de restabelecê-la e reorganizá-la.

Assim o mito revela seu caráter profético ao indicar a queda do masculino e ao mostrar como restabelecer o poder do masculino em nossa época: através do feminino.

No mito Ísis pede ajuda de sua irmã, Néftis. E Néftis é a esposa de Seth, portanto a sua contraparte feminina. Se foi Seth que matou e fragmentou Osíris, é Néftis que auxilia Ísis a recuperar o poder do marido morto.

Assim não podemos ver Seth como o mal, porque a sua contra-parte não o é.

Tenho visto análises do mito como se os deuses fossem expressões da mente humana e não forças impessoais da Natureza, assim nessas análises os deuses são cumulados com qualidades típicas de humanos (inveja, ira, luxúria, violência, etc) que incapazes de verem algo além de si mesmos tomam as forças impessoais da Natureza como se extensões suas fossem. Humanos...

Cada Deus ou Néter, como uma força impessoal da Natureza, cumpre uma função no mito.
Seth cumpre a função do destruidor, da morte.
Ísis cumpre a função da vida, da restauradora.

E Néftis media entre um e outro ficando no limite entre a vida e a morte, pois ela é esposa de Seth e irmã de Ísis.

Ver Seth como o mal é separar e fragmentar o entendimento do mito, pois não há o mal absoluto, se assim fosse Seth não teria nascido da mesma fonte dos outros Néteres.

Ver Seth como o mal é alijar a força da morte do processo da vida. E tal não pode ser feito porque a vida é o caminho onde a morte nos desafia, permitindo-nos a renovação.

O processo de demonização de diferentes mitos tem como objetivo o controle mágico, ideológico e religioso, pois o mal torna-se sempre o outro, o outro culto, o outro deus, o adversário.

Isso ocorre com Seth, com Exu e com Pã ao serem identificados com o diabo cristão. Não é deus uma invenção do homem dito civilizado e sim o diabo, pois expressão de seu próprio ego auto-importante e fragmentado. Não há conceito de diabo ou mal personificado nas tradições em harmonia com a Terra. O diabo nasce da desarmonia do homem com a própria Terra da qual é fonte.

Seth, Pã e Exu personificam forças que lidam diretamente com esse mundo, com essa realidade. Uma elite mística, religiosa e mágica identificou esses mitos com o mal apenas para que as massas ficassem alijadas do uso de tal poder enquanto eles mesmos executavam e executam ritos de magia com tais poderes. Um ponto cantado tradicional de Umbanda diz que "na batina do padre tem dendê", indicando como os antigos xamãs afro-brasileiros percebiam as manobras ocultas dos curas católicos. Vemos os padres vestidos de preto e vermelho, em especial os cardeais. Dizem que a própria Igreja Universal que persegue os cultos afro-brasileiros celebra em segredo os mesmos, basta para isso ver que adotam formas e práticas algo disfarçadas muito semelhantes em várias ocasiões. Eles usam essa vibração e conquistam posições no mundo material e alijam a massa de tal força.
Osíris e Seth são dois aspectos da mesma força. “Osíris é um deus negro”.

Há um ponto na Umbanda que revela a seu modo, sob a linguagem sincrética e misturada, o fato de Osíris ser um deus negro.

Exu que tem duas cabeças
Mas ele olha a sua banda com fé
Se uma é Satanás no inferno
A outra é de Jesus Nazaré.

É claro que tal ponto arrepia até a alma aqueles que não têm a compreensão da Unidade.

Alguns ouvirão no fundo da mente o coro inquisidor gritar: - Blasfémia, heresia!

Mas a maior blasfémia é a heresia da separatividade.
Quando separamos essas forças uma fragmentação ocorre e perdemos a conexão com o princípio masculino que fica em desequilíbrio.
Esse desequilíbrio tem dois pólos:

Osíris morto representa a espiritualidade morta e Seth assassino é a sexualidade exacerbada e descontrolada porque destituída de espírito. Sim, podemos ver Osíris como o espírito em nós e Seth como a sexualidade em nós, dois aspectos de uma mesma força. O mito mostra isso pois o falo é a única parte não recuperada do corpo de Osíris, pois ele pertence na verdade a Seth, que como Exu, é uma entidade fálica.

Assim recuperar a sexualidade sagrada é reconciliar Osíris e Seth, permitindo a ressurreição de um homem verdadeiro, capaz de honrar o feminino, a Deusa e a mulher porque integra em si o desejo sexual e espiritual. A sexualidade sagrada é uma relação entre o masculino e o feminino, que não pode ocorrer se o homem mantém-se fragmentado. Um homem fragmentado torna-se um padre ou um monge que odeia o feminino porque vê na mulher a imagem do pecado e da tentação ou um machista que tenta se impor pela agressividade, pela violência, pelo dinheiro, pelo poder que ostenta de diferentes formas, que vão de um carrão até a construção de monumentos como obeliscos gigantescos imitando um poder que não possui em si e que vê na mulher um objeto de consumo.

Há no machista e no monge que nega a si mesmo uma espécie de raiva da mulher, porque há uma inveja de seu enorme poder sexual e capacidade multi-orgástica. Essa inveja fez com que nossa cultura limitasse o poder do feminino em dois estereótipos: a virgem mãe e a prostituta arrependida. São tentativas desesperadas do macho fragmentado de tentar controlar a fêmea porque incapaz de fazer frente, pelo auto-domínio, ao poder sexual da mulher, ainda mais da mulher plena.

As 13 partes de Osíris recuperadas nos indicam o arcano 13, a morte do Tarot. A 14ª parte indica, se recuperada, a possibilidade de uma transição para uma era de regeneração, 14 é o número do Tarot para a Temperança, que tem óbvias semelhanças com Aquário, signo da nova era, regido por Urano, regente no corpo humano das glândulas sexuais, onde está a força do espírito, a força feminina e regeneradora, a Energia Criadora, Shakti, Kundalini, Néftis, a Ísis velada e oculta em nosso corpo. No arcano 14 do Tarot vemos um anjo hermafrodita, símbolo da harmonia e da reconciliação do feminino e do masculino.
Assim cada homem é um Osíris assassinado que pode recuperar-se ao juntar em si o poder de Seth, sexualidade e o poder de Osíris, o espírito, por intermédio do feminino: Néftis como o poder oculto de Kundalini e Ísis como esse mesmo poder revelado e restaurado em nosso corpo, a serpente expressa pelo terceiro-olho dos iniciados egípicios.
Para tal Osíris – o homem - e Ísis – a mulher - devem celebrar o casamento mágico e alquímico.


obs: texto em construção - F.A.
in pistas do caminho http://pistasdocaminho.blogspot.com/
*

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Ó Tot, que falta fazer às crianças de NUT

A FESTA DA HUMILHAÇÃO DA MULHER...


LARA LOGAN - JORNALISTA...

A correspondente da rede CBS, Lara Logan, foi espancada e abusada sexualmente por uma multidão enquanto cobria a comemoração na Praça Tahrir, no Cairo, no dia em que Hosni Mubarak renunciou, informou a emissora nesta terça-feira.

Lara, sul-africana de 39 anos e há vários anos correspondente de guerra, voltou para os Estados Unidos em seguida e se recupera num hospital. Ela foi uma das dezenas de jornalistas que sofreram algum tipo de violência durante as três semanas de protestos no Egito.

Em nota, a CBS News informou em que a repórter estava cobrindo a crise para o programa "60 Minutes" em 11 de fevereiro quando ela e sua equipe foram cercados por mais de 200 pessoas.

"No tumulto, ela foi separada de sua equipe. Foi cercada e sofreu um ataque brutal e sexual, além de ser espancada, antes de ser salva por um grupo de
mulheres e cerca de 20 soldados egípcios", afirmou a CBS.

IN O GLOBO



Palavras ditas por Osiris:

Ó Tot, que falta fazer às crianças de NUT ? Elas fomentaram a guerra, suscitaram querelas, causaram desordem, fomentaram a rebelião, massacraram, procederam a prisões, em suma, abateram o que era grande, em tudo o que criei. Demonstra a tua força, Tot, diz Atum.

- Tu não deves tolerar o erro, não deves sofrê-lo! Encurta os seus dias, retira os seus meses, porque eles secretamente destruiram tudo o que tu criaste!

- Eu estou de posse da tua paleta, ó Tot, e eu trago-te o tinteiro. Eu não estou entre estes fazedores de secreta destruição; é por isso que não me destruirá, uma morte rápida não terá poder sobre mim.

In O LIVRO DOS MORTOS DO ANTIGO EGIPTO

sábado, janeiro 29, 2011

Thot do Egito



Quem é Thot?

Hieróglifos que significam textos sagrados. São traçados em papiro, supostamente o primeiro papel do mundo. A pessoa retratada aqui é um homem chamado Thot, nome pronunciado com um "o" longo. Certas pessoas dizem "Thawth," mas ele diz que seu nome é Thot.
Os hieróglifos mostram sua cabeça na forma de um pássaro chamado íbis. Dessa forma, sempre que virem este sujeito de ombros bastante largos e cabeça estranha, trata-se de um hieróglifo retratando este ser específico chamado Thot. Ele está segurando hastes de papiro porque foi quem introduziu a escrita no mundo. A introdução de escrita foi um acontecimento importantíssimo — possivelmente o ato de maior alcance já ocorrido neste planeta neste ciclo. Provocou mais mudanças em nossa evolução e consciência do que qualquer outro ato isolado ao longo de nossa história conhecida. Vamos nos aprofundar mais nesse assunto depois.

Thot, em algumas ilustrações, está segurando na mão esquerda algo chamado ankh, símbolo da vida eterna. O ankh é um símbolo extremamente significativo nos seminários da Flor da Vida, da mesma forma que foi um dos símbolos básicos em tempos egípcios. Existe um campo electromagnético de energia circundando nossos corpos, e a recordação desse campo, segundo o ponto de vista egípcio, é o início de nosso retorno à casa rumo à vida eterna e à verdadeira liberdade, sendo o ankh uma chave básica.

Algumas ilustrações que mostram Thot segurando uma caneta e escrevendo. Trata-se de um ato revolucionário que jamais fora tentado neste ciclo. De acordo com a versão convencional da história, este ato deu-se no Egito durante a época de Saqqara, mas tenho minhas dúvidas a esse respeito. Dru acredita que ocorreu aproximadamente 500 anos antes. Saqqara foi a primeira dinastia, cerca de 3.300 a.C. Nos seminários, aprofundamo-nos mais nas questões de como e por que há pirâmides mais antigas que Saqqara e explicamos sua importância.

Este homem, Thot do Egito, aparece praticamente no começo da Atlântida, 52 mil anos atrás, ele descobriu como permanecer consciente num corpo o tempo todo, sem morrer, permanecendo em seu corpo original durante 52 mil anos, até 1991, quando passou a uma nova forma de ser muito além de nossa compreensão. Viveu durante a maior parte do período da Atlântida, chegando mesmo a se tornar rei da Atlântida durante um período de 16 mil anos. Naquele tempo, ele era chamado Chiquetet Arlich Vomalites. Seu nome era, na verdade, Arlich Vomalites, sendo Chiquetet um título que significava o que busca sabedoria, pois ele realmente desejava ser o que era sabedoria.

Quando a Atlântida afundou, Arlich Vomalites e outros seres avançados tiveram de esperar cerca de seis mil anos para conseguir começar a restabelecer a civilização. Quando o Egito começou a ganhar vida, ele deu um passo à frente e chamou a si mesmo Thot, mantendo esse nome durante toda a época do Egito. Quando o Egito morreu, foi Thot quem deu início à cultura importante seguinte, a da Grécia. Nosso livros dizem que Pitágoras foi o pai da Grécia, e que foi a partir e por intermédio da escola pitagórica que a Grécia se desenvolveu, e que nossa atual civilização emergiu da Grécia. E Pitágoras diz em seus próprios escritos que Thot o pegou pela mão, conduziu-o aos subterrâneos da Grande Pirâmide e lhe ensinou toda a geometria e a natureza da Realidade. Quando a Grécia nasceu por intermédio de Pitágoras, Thot então entrou nessa cultura no mesmo corpo que tinha na época da Atlântida, chamando a si mesmo Hermes. Esclarecendo, Arlich Vomalies, Thot e Hermes são a mesma pessoa.
(...)

DRUNVALO MELCHIZEDEK

A esfinge


A Esfinge é a maior escultura do planeta.
Não foi feita por bárbaros cabeludos. Foi feita por uma cultura muito sofisticada. E não foi feita por um povo por nós conhecido aqui da Terra. De um ponto de vista científico, essa é a primeira evidência concreta a ser aceita sobre a verdadeira idade de civilização. Houve muitas outras evidências, mas eles apenas ficavam escondendo-as. Essas informações sobre a Esfinge provocaram uma fissura em nossa compreensão de nossa visão do mundo. Isso aconteceu por volta de 1990, e a fissura está aumentando agora. Temos agora a evidência aceita de que definitivamente já devia haver na Terra alguém altamente civilizado há dez mil anos. Vocês podem observar como isso vai alterar por completo nossa visão de quem pensamos que somos.


Drunvalo Mechizedek

sexta-feira, dezembro 17, 2010

O OLHAR DE AMOR


O OLHAR DE VIDA, A SEDE DA ALMA


“NA poesia dos sumérios, a expressão “olhar de vida” é usada às vezes para sugerir alguém que, cheio de amor, fita outra pessoa e transmite vitalidade com o olhar.

O empenho em descrever a força dos olhos lembra imagens primitivas da Deusa Olho, e a Deusa sob a forma de Olho (Udjad) no Egipto, bem como a importância vital dos olhos da mãe para o bebé de colo. A primeira coisa que as crianças colocam no rosto, quando começam a desenhar a figura humana são os olhos. Na escultura suméria e babilónica, os olhos dos deuses e dos fiéis são aumentados e transformados praticamente em discos hipnóticos que nos fixam, para transmitir a sua potência hierática de sede da alma.”
«««

terça-feira, dezembro 07, 2010

Os gatos no Egipto



O gato é um viajante do tempo do antigo Egito.
Retorna sempre que a feitiçaria ou o estilo estão na moda.


Uma das mais incompreendidas características da vida egípcia é a veneração dos gatos, cujos corpos mumificados têm sido encontrados aos milhares. Minha teoria é que o gato foi o modelo da singular síntese de princípios do Egito. O gato moderno, o último animal domesticado pelo homem, descende do Felis lybica, um gato selvagem do Norte da África. Os gatos são errantes e misteriosas criaturas da noite. Crueldade e brincadeira são a mesma coisa para eles. Vivem do e para o medo, treinando assustar-se e assustar os humanos com súbitas correrias e emboscadas. Os gatos habitam o oculto, isto é, o “escondido”. Na Idade Média, eram caçados e mortos por suas ligações com as bruxas. Injusto? Mas o gato realmente está ligado à natureza ctônica*, mortal inimiga do cristianismo.


O gato preto do Dia das Bruxas é a sombra que ficou da noite arcaica. Dormindo até vinte de cada 24 horas, os gatos reconstroem e habitam o primitivo mundo noturno. O gato é telepata – ou pelo menos acha que é. Muitas pessoas se amedrontam com seu olhar frio. Comparados com os cães, servilmente ávidos por agradar, os gatos são autocratas de evidente interesse próprio. São ao mesmo tempo amorais e imorais, violando regras conscientemente. Seu “mau” olhar nessas horas não é nenhuma projeção humana: o gato talvez seja o único animal que saboreia o perverso ou reflete a respeito. Assim, o gato é um adepto dos mistérios ctônicos. Mas tem uma dualidade hierática. Tem olhar intensivo. O gato fundo o olho de Górgona do apetite com o distanciado olho apolíneo da contemplação. Valoriza a invisibilidade, imaginando-se comicamente indetectável quando atravessa um gramado com passo malandro. Mas também adora ver e e ser visto; é um espectador do drama da vida, divertido, condescendente. É um narcisista, sempre ajeitando a própria aparência. Quando está assanhado, seu ânimo cai. Os gatos têm um senso de composição pictórica: colocam-se simetricamente em cadeiras, tapetes, até mesmo numa folha de papel no chão. Aderem a uma métrica apolínea de espaço matemático. Altivos, solitários, precisos, são árbitros da elegância – esse princípio que considero nativamente egípcio.
(...)
Assim, a veneração dos egípcios pelos gatos não era nem tola nem infantil. Por meio do gato, o Egito definiu e refinou sua complexa estética. O gato era o símbolo daquela fusão de ctônio e apolíneo que nenhuma outra cultura conseguiu. A linha pagã de olho intenso do Ocidente começa no Egito, como acontece com a dura persona da arte e da política. Os gatos são exemplares de ambos. O crocodilo, também cultuado no Egito, assemelha-se ao gato em sua passagem diária entre dois reinos: movendo-se entre água e terra, o rugoso crocodilo é o ego blindado do ocidente, sinistro, hostil e sempre em guarda. O gato é um viajante do tempo do antigo Egito. Retorna sempre que a feitiçaria ou o estilo estão na moda. No esteticismo decadente de Poe e Baudelaire, ele readquire seu prestígio e magnitude de esfinge. Com seu gosto pelo ritual e o espetáculo sangrento, conspiração e exibicionismo, é pura pompa pagã. Unindo primitivismo noturno a elegância de linha apolínea, tornou-se o paradigma vivo da sensibilidade egípcia. O gato, fixando sua rápida energia predatória em poses de stasis apolínea, foi o primeiro a encenar o imobilizado momento de quietude conceitual que é a grande arte.
(...)
Camila Paglia

* ctónico: relativo a ctonos a deusa terra. Segundo a autora, o culto de dioniso, relativamente recente na grécia antiga, vem ocupar o lugar que antes era dedicado a essa deusa.
Camilla Paglia adota a expressão para designar o que nietzsche chama de dionisíaco.
in Personas Sexuais de Camille Paglia.
Companhia das letras, 1994

sexta-feira, novembro 05, 2010

O NOSSO DUPLO


"Tuas intenções são excelentes, mas a tua alma não se decidirá jamais a divulgar a verdade, por causa da diversidade das opiniões e das misérias do orgulho”

(Krates)
******
Quando escrevo é quase sempre para mim mesma, para me reflectir no papel e poder ver-me ou sentir-me mais profundamente. Sempre escrevi como forma de interiorização, mas inconscientemente, pensei sempre, que havia alguma luz que me vinha de onde não sabia, mas, ao mesmo tempo, como se alguém também estivesse por detrás do meu ombro a soprar-me e a escutar-me simultaneamente. Lembro-me de escrever ainda adolescente os meus diários, com a viva sensação de haver alguém para quem eu escrevia e que eu desconhecia ainda e esperava a revelação. Não sei se era a falta de um interlocutor se a intuição de haver um “duplo”.


As pessoas normalmente falam para Deus ou para uma parte luminosa do seu ser. Qualquer criatura por mais embutida que seja tem disso uma clara ou vaga percepção. A oração é isso. A evocação do sagrado em nós recorrendo a uma imagem ou arquétipo que é activado pelo transporte – necessidade individual de atingir essa Parte de nós supostamente inatingível. As experiências místicas situam-se mais ou menos nesses estados que nos transcendem e são respostas ao nosso fervor e sinceridade. Daí que todas as fés e credos accionem as mesmas e idênticas experiências místicas. Tudo depende da projecção que se faz ou a ideia que se tem de um deus ou algo que nos transcenda. Ao longo dos anos eu mudei de perspectiva de “Deus”. E fiquei entre pagã e agnóstica o que não é inconciliável... Mas presentemente a noção ou experiência que mais me faz sentido é sem dúvida a ideia do DUPLO, designado por kA, segundo os egípcios. O meu duplo será, pois, o meu verdadeiro ser interior e que eu desde criança pressenti que me acompanhava e que se calhar é o que o vulgo chama de anjo da guarda...


Isto não é tão simples assim, mas o kA é o nosso ser eterno e que nos assiste e a quem devemos a continuidade do nosso ser. É alias muito difícil reter esta ideia para quem se identifica exclusivamente com o seu corpo mental ou físico e sem nenhuma ideia do Espírito que não seja em abstracto, algo fora do corpo e além, no Céu, como Deus, por exemplo, mas o espírito está tanto em nós, alma, como no nosso corpo, só que o nosso intelecto não o abrange! O Espírito tem a consciência toda e nós temos como finalidade evoluir até essa totalidade e à medida que evoluímos e tomamos consciência do nosso Espírito através da nossa alma, nós somos mais Deus. Para isso é preciso unir os dois lados de nós: feminino e masculino. Unir todos os opostos. Antes disso, porém, tem a Mulher de ser inteira e dela fazer nascer um novo homem.

« O MON COEUR DE MA MERE TU EST LE KA DE MES TRANSFORMATIONS »

“(...)

O “eu” é o portador do nome que assiste, impotente, ao julgamento do seu coração. O Nome é o verbo aparente da personalidade humana terrestre; ele devia ser a expressão do seu Ka e da sua natureza, se ele estivesse correctamente atribuído. Ele é sempre a fórmula mágica que conserva a sua imagem na memória dos seres.
Ele é a veste do eu egoísta; é por isso, que quando este eu egoísta se apaga diante do homem consciente do seu fim altruísta, nós modificamos o seu nome para o pôr em harmonia com o seu Ser e a sua função verdadeira.
- Porquê que é que a alma - pássaro (BA) fica à parte na cena do julgamento?
- A alma divina é neutra, impassível e indiferente a esta história pessoal.
Se o homem não cultivou a afinidade do seu KA por esta alma, se ele não estabeleceu, por um apelo constante ao seu ser espiritual, a relação que é a sua consciência recíproca, a alma volta para a sua pátria, e o seu ser unificado não se poderá realizar."


In HER-BAK “Discípulo”, de Schwaller de Lubicz

A alma tem de se ligar ao Espírito, não só através da oração (o Nome verdadeiro), como dessa consciência recíproca.

*****

E, eternos viajantes sem ideal
Salvo nunca parar, dentro de nós,
Consigamos a viagem sempre nada
Outros eternamente, e sempre sós;
Nossa própria viagem é viagem e estrada.

FERNANDO PESSOA

quinta-feira, novembro 04, 2010

Às dançarinas do antigo Egipto... e às que o acordam agora...




Às parelhas das carruagens do Faraó
eu te comparo, minha amada.
Graciosas são tuas faces entre os brincos,
e teu pescoço entre colares.
Faremos para ti brincos de ouro
com filigranas de prata.
(…)
Como és formosa, minha amada!
como és formosa,
com teus olhos de pomba,
na transparência do véu!

* In Cântico dos Cânticos…

quarta-feira, novembro 03, 2010









"Ó, alma cega! Arma-te com o facho dos Mistérios e tu descobrirás na noite terrena o teu Duplo luminoso, a tua alma celeste. Segue esse guia divino e que ele seja teu Gênio:
—Porque ele contém a chave das tuas existências passadas e futuras."


Apelo aos iniciados do Livro dos Mortos.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Os mistérios sagrados do Egipto




“Eis que meus dois olhos possuem toda sua força de outrora e com minhas duas orelhas eu ouço as harmonias da Ordem divina.
Como Rá, eu navego no Oceano celeste.
Na verdade, eu não repetirei jamais o que eu ouvi; eu não contarei a ninguém o que eu vi nos lugares dos Mistérios...
Eis que me saúdam com gritos de alegria e eu percorro triunfante o Oceano celeste...!
”


Livro Sagrado dos Mortos Egípcio

Cântico de louvor a Hathor

Tenho muita dificuldade em encontrar textos sobre o Egipto antigo e o seu espírito unificador que tanto amo...por essa razão tão poucas vezes aqui venho. No entanto está página é para mim preciosa. Por isso lembrei-me de vos pedir, se encontrarem algum texto solto, história ou poema que evoque esse Espírito vivo do Egipto, que me enviem...ficaria muito grata e seriamos todas/os a beneficiados...
rlp



Cântico de louvor a Hathor


Glória a ti, Hathor de belas formas, ouro dos deuses que floresce nas acácias!

Senhora do Céu, flor de mandrágora, feita de gaze e sândalo!
Deusa do Amor, mulher jovem, amável dona dos cetros, do colar mágico e do sistrum!

A de ancas de linho fino que guardam o sêmen de Rá: a Alma Universal!

Ó grande Senhora do Reino do Ponto: pátria dos perfumes!
Dama dos sicômoros, guardiã do vento norte!

Deusa da Música e da Dança que se alimenta de cânticos!
Senhora do Ocidente, a de seios copiosos,
e olhos como turquesas encastoados em prata!

Ó Hathor, bem amada de Hórus, o Falcão!
Deusa Universal dos Cornos de Ouro que sustentam o Disco Solar!

Tu, que atendeste nossas preces,
celebra conosco este belo dia
na praia oriental do céu!
*
Extraído do livro de Chiang Sing
'Nefertiti e os Mistérios Sagrados do Egito'

quarta-feira, outubro 20, 2010

UMA VERSÃO NO FEMNINO...


ALMA-IRMÃ

(…)

"Um longo, longo silêncio e, então, como se o sonho ainda continuasse, aparece diante dela a imagem radiosa de uma elegante e sublime mulher, de vestes diáfanas em toda a sua glória, e o esplendor da sua alma brilha através de um corpo fulgurante de luz como que iluminando as suas vestes de sedas fulgentes, transparentes e maravilhosas.

-“Quem és tu que vens a mim neste momentos de desolação?”

- “Oh, Filha da Luz, eu sou a tua irmã-espírito…
Porque tiveste coragem no momento em que o cordão foi seccionado, e porque te mantiveste fiel à verdade no instante da morte, tenho permissão para estar contigo e entregar-te este botão de flor.

Quando este botão florir, virão libertar-te.”

Ela coloca a mão sobre o ombro da discípula; a força e a glória da Luz que está nela fluem para o seu corpo. E ela conhece então o êxtase e a pureza da verdadeira Visão Espiritual, aquela que, para a poder alcançar a fez permanecer naquela solidão tanto tempo. Jamais ela sentira aquele êxtase na pulsação das suas veias, enchendo assim o seu coração…

- “Não me abandones, fica comigo!”

-“Não poderei ficar, mas dei-te o botão em flor e quando ele florir elas virão”.

E a discípula vê-se só de novo.
(…)
Um prolongado silêncio e, a porta do sarcófago é aberta…
(…)
Ela vê então em sua mão direita o botão a abrir-se e sente o perfume de uma rosa branca e perfeita, a única recompensa que teve, além da lembrança da gloriosa beleza do sonho que sonhou."

In INICIAÇÃO JUNTO AO NILO
Mona Rulfe


- Peço perdão ao autor e a Matriarca pela leve mudança no texto mas tendes que admitir que assim ficou imensamente mais belo...

Gaia Lil

segunda-feira, agosto 23, 2010

Irmã-Espírito


ALMA-IRMÃ
(…)

"Um longo, longo silêncio e, então, como se o sonho ainda continuasse, aparece diante dele a imagem radiosa de uma elegante e sublime mulher, de vestes diáfanas em toda a sua glória, e o esplendor da sua alma brilha através de um corpo fulgurante de luz como que iluminando as suas vestes de sedas fulgentes, transparentes e maravilhosas.

-“Quem és tu que vens a mim neste momentos de desolação?”

- “Oh, filho da Luz, eu sou a tua irmã-espírito…
Porque tiveste coragem no momento em que o cordão foi seccionado, e porque te mantiveste fiel à verdade no instante da morte, tenho permissão para estar contigo e entregar-te este botão de flor.

Quando este botão florir, virão libertar-te.”

Ela coloca a mão sobre o ombro do discípulo; a força e a glória da Luz que está nela fluem para o seu corpo. E ele conhece então o êxtase e a pureza da verdadeira Visão Espiritual, aquela que, para a poder alcançar o fez permanecer naquela solidão tanto tempo. Jamais ele sentira aquele êxtase na pulsação das suas veias, enchendo assim o seu coração…

- “Não me abandones, fica comigo!”

-“Não poderei ficar, mas dei-te o botão em flor e quando ele florir eles virão”.

E o discípulo vê-se só de novo.
(…)
Um prolongado silêncio e, a porta do sarcófago é aberta…
(…)
Ele vê então em sua mão direita o botão a abrir-se e sente o perfume de uma rosa branca e perfeita, a única recompensa que teve, além da lembrança da gloriosa beleza do sonho que sonhou."

In INICIAÇÃO JUNTO AO NILO
Mona Rulfe

quinta-feira, agosto 19, 2010

A deusa egípcia Sekhmet


"As deusas da cólera transformadora são muito diferentes das deusas da sabedoria (...).
Manifestam-se quando é tempo de actuar para mudar uma situação inaceitável, quando "Bem basta o que já basta!". Trata-se de deusas que eram chamadas quando os deuses ou os homens não conseguiam derrotar o Mal e só uma deusa poderosa estava à altura dessa tarefa.


As deusas da cólera transformadora mais importantes não são representadas sob um aspecto humano. A deusa egípcia Sekhmet tem cabeça de leoa e corpo de mulher. Kali-Ma, a deusa hindu, possui uma face humana assustadora e um corpo de mulher com muitos braços.Incluo-as nos arquétipos de velha porque surgem nessa fase da vidas das mulheres. Gloria Steinem tem dito frequentes vezes que as mulheres se tornam mais radicais à medida que envelhecem. Os homens costumam ser radicais em novos e defensores do conservadorismo mais tarde. Na sua vida pessoal e ideias políticas, as mulheres de idade parecem radicais quando são influenciadas pelo que sabem e sentem. Podem pôr termo a casamentos disfuncionais de longa data. Podem dispensar especialistas autoritários e assumir pessoalmente as rédeas no domínio médico e financeiro. Na esfera política, podem observar o modo como os homens gerem as situações e sentir indignação perante a tolerância para com o Mal ou a indiferença ao sofrimento. Sekhmet/Kali surge nelas e alimenta a sua determinação na mudança.


Jean Shinoda Bolen, As Deusas e a Mulher Madura
(edição brasileira da editora Triom)/

quarta-feira, agosto 18, 2010

A deusa egípcia Seshat



A deusa egípcia Seshat representada com uma folha de marijüana sobre a cabeça. Seshat foi uma divindade protetora das bibliotecas, do conhecimento e da geomancia entre outras coisas.
(...)
Os cultos à fertilidade, repletos de práticas sexuais, evoluíram ao longo das Eras e desenvolveram-se entre os estudiosos Gnósticos e os praticantes de Tantra. Tornou-se um "casamento sagrado" que acontece no plano mental dos praticantes. O ritual não se dedica mais à fecundidade da terra ou dos homens; antes, pretende proporcionar o encontro do indivíduo consigo mesmo e sua identificação com o Universo.

Ritos que usam o sexo e a cannabis buscam o despertar da kundalini e sua ascensão, ou seja, a ativação da energia sexual de modo tal que ela possa percorrer a coluna, alcançar a glândula pineal e atuar no cérebro como força criadora e re-generadora; e não mais e somente como força de geração física.

A glândula pineal é considerada a sede da alma, do espírito. É um órgão misterioso de funções praticamente desconhecidas mas para os praticantes do esoterismo, o uso da cannabis combinados com outras práticas, como relaxamento e meditação, produz uma ativação incomum da energia sexual. Nas palavras do místico Aleister Crowley, extremamente experiente quando o assunto é droga e sexo: "Quando você entende que Deus é meramente um nome para o instinto sexual não me parece tão difícil admitir que Deus está no sexo".

(FONTE Marijüana: the ultimate sex drug
CANNABIS CULTURE publicado em novembro 1999
por Chris Bennett tradução & adaptação: Ligia Cabús )




BASTIT A DEUSA GATA
DIR.: Bast, a Artemis grega, deusa da sabedoria. Entre os egípcios, zoomorfa meio-gato, meio-mulher, acreditava-se que dominava variados aspectos da vida civilizada: do Sol Nacente, como filha de Rá; e também deusa da iluminação [intelectual], do lar, do sexo, da fertilidade e do parto, dos prazeres físicos e, curiosamente, deusa das lésbicas que, no país do faraó, eram associadas à verdade, honestidade.

In CANNABIS PR-NTR-KTM
"O quanto é intenso o seu amor, minha irmã, minha noiva!
Mais delicioso que o vinho é o teu amor e a fragrância de seu óleo [ungënto], mais deliciosa é que o aroma das especiarias.
Seu corpo é um pomar de frutos abundantes, de romãs, de henna e nardos, nardos e açafrões, cannabis [Kaneh Bosm] e canela e todas as árvores de incenso" ...

quarta-feira, agosto 11, 2010

MAAT NO MEU CORAÇÃO...




“a mãe dá à luz a filha e a filha dá à luz a mãe”.

"Oh mon coeur de ma Mère tu es le KA de mes transformations..."

E no meu coração subitamente

Tu és todas as mulheres que amei num só rosto

ou todos os rostos da única mulher que amei

e elevei à realeza da Deusa, EU MESMA.

RLP


“A mãe permitiu-me ver tudo – tudo, na sua diversidade, ela permitiu-me ver. Um dia, ela fez-me ver, à minha volta, Shiva e Sakti fazendo amor. Os humanos, os animais, as árvores e as plantas trepadeiras, dentro de tudo isso: Shiva e Sakti – purusha e prakrti – fazendo amor”. Ramakrisna-1884

Pela graça da Mãe, Ramakrisna percebeu Shiva e Sakti, quer dizer, purusha e prakrti, no interior do ser humano.

“Fazer amor com uma mulher (kamini), que prazer há nisso? Quando se tem a visão da Divindade, a qualidade suprema do prazer erótico (lit. “do coito”) é ananda (termo cujo sentido primeiro se referia ao orgasmo). Gauri disse: “ Quando se sente maha-bhava, todos os poros do corpo, até às raízes dos cabelos, se tornam um maha-yoni, uma grande vulva. Em cada poro sente-se o prazer da união com o atman.”
Ramakrisna 1883

Eu sou a Natureza, a Mãe de todos os deuses...


ISIS RAINHA DE TODAS AS COISAS

Eu sou a Natureza, Mãe de todas as coisas, a senhora de todos os elementos, a primordial progênie dos séculos a suprema das divindades.
A rainha dos mortos, a primeira das celestiais e a uniforme representante das Deusas e dos Deuses; eu que governo com o meu aceno as alturas luminosas do céu, as suaves brisas do mar e os nefastos silêncios dos infernos, e cuja única divindade toda a humanidade venera debaixo de múltiplas formas, sob vários rituais e debaixo de muitos nomes, sou adorada em toda à parte.
Cada nação tem o seu nome próprio para mim, vendo apenas um dos meus mitos, adorando-me com apenas um dos seus ritos.
Na antiga Frígia sou Pessinuntica, mãe dos deuses; para os áticos autóctones, Minerva Cecrópia; os flutuantes cípricos me chamam Vênus Pafia; em Atenas, onde os homens nascem do próprio solo, sou Artémis; na ilha de Chipre sou a dourada Afrodite.
Os arqueiros cretenses chamam-me Diana Dyctinna, os Sicilianos trilingues Proserpina, e os Eleusinos a intemporal Mãe dos cereais a Deusa Ceres.

Uns chamam-me Juno, outros Bellona das batalhas outros Hecate ou Rhanumbia. Mas há os que me conhecem melhor, aqueles que são iluminados pelos primeiros raios do Deus Sol nascente, os etíopes, os ários e os egípcios, abalizados na antiga ciência, adoram-me em cerimônias próprias e me chamam pelo meu nome verdadeiro, a Rainha Isis

Pára, pois agora de chorar, pois vim ajudar-te: olhei lá de cima e vi as mágoas da tua vida e tive piedade dos teus infortúnios... Por isso seca as tuas lágrimas e rebate a tristeza. Tudo vai mudar em breve e sob a minha luz vigilante a tua vida será refeita, renovada.

Vim meu filho em resposta às tuas orações.

(Adaptação livre do texto d’ “O Burro de Ouro” de APULEIO)



no Antigo Egipto

ISIS FOI ADORADA DURANTE MILHARES DE ANOS


Na sua festa “Noite do Berço” a 17 de Julho, que é também a festa da deusa Nut sua mãe e deusa do céu, eram ambas veneradas porque
“a mãe dá à luz a filha e a filha dá à luz a mãe”.

Da Imagem de Ísis com o filho Hórus, é decalcada a Virgem Maria
e como vimos, outras Deusas ao longo dos milénios...

***
Por Ísis, existe o céu.
Por Ísis, existe a terra.

Por sua vontade os ventos sopram no deserto
E o sol brilha com doçura.

Pela sua graça, o rio enche na primavera
E as plantas dão os seus frutos.

Por Ísis, vivemos e crescemos fortes,
Por Ísis, e só por ela, respiramos e damos graças.
***
In “O Caminho da Deusa” - Patrícia Monaghan

sexta-feira, agosto 06, 2010

AS DEUSAS MAAT E ÍSIS



“Vim e aproximei-me para ver a tua beleza, minhas mãos estão erguidas em adoração ao teu nome: Justiça e Verdade.”


(Papiro de Ani, folhas 29-30 – Museu Britânico)


MAAT


Maat é a Deusa do antigo Egipto

Que representa a harmonia do cosmos,

A força que mantém o mundo na sua continuidade,

A ordem universal. Justiça e Verdade, Maat é a lei

através da qual o mundo sai do primeiro caos.

O Símbolo de Maat é a pena que se encontra no prato da balança

no momento do julgamento dos mortos

como contrapeso do coração.

«««



ISIS

Ísis veio ao mundo por Apit a verdadeira sob a forma de uma mulher negra e dourada, doce de amor.

Foi-lhe dito que a pela sua mãe Apit – um outro nome de Nout – quando ela a viu pela primeira vez:

Sê gentil para a tua mãe.

Tu és mais antiga do que a tua mãe.

É por isso que o teu nome é Ísis

LES DÉESSES DE L' ÉGYPTE


OS PODERES DO CORAÇÃO


"Existirá em nós uma esperança de descobrir dentro de nós um elemento de estabilidade permanente, "um gerente responsável" da nossa encarnação, que saiba o fim e que nos possa iluminar o nosso discernimento quanto ao caminho que nos leva a esse fim?"


Isha S.L.


"Precisamos concluir que a percepção do mundo das causas está vedada à Humanidade? Sim, pelos meios humanos. Mas todos os verdadeiros Iniciados não vieram a esta Terra senão para mostrar esses meios que nos escapam. Ora este "mundo das causas" está expresso no TAO, ou no "Reino dos Céus", o meio essencial indicado para lá chegar é o mesmo: simplicidade de coração e de pensamento.
O Conhecimento dos poderes do coração é indispensável à prática do Caminho do Meio pois este só se pode praticar através da preponderância desses poderes e da sua influência. Esta via é um balanço constante entre o egoísmo do Eu e o altruísmo do Si. Só o coração pode realizar o prodígio do equilíbrio, pela sua posição mediadora entre o temporal e o intemporal, entre o organismo mortal e o seu arquétipo imortal. A alternância do seu movimento (dilatação-contracção) é a imagem perfeita desse balançar entre os dois poderes, do qual o pessoal tem de se tornar consciente, para ser transcendido pelo impessoal".

de ISHA SCHWALLER DE LUBICZ
in "A ABERTURA DO CAMINHO"